Blackground 40 anos (1971-2011)
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Um Blog dedicado ao magnífico Duo Ouro Negro, representantes da raça crioula por todo o Mundo.
Entre 1961 e 1963 o Ouro Negro foi constituído por 3 elementos, Raul Aires Peres, Milo Vitória Pereira e José Alves Monteiro, mais conhecido por Gin.
Ao longo desses anos foram gravados 5 EP’s, folclore Angolano na sua maioria, imortalizando para sempre versões de Ana N’Gola Dilenué, Kolonial, Cidrálea, Palamiê, Birin Birin... mas também temas como Garota, o célebre Mãe Preta de Piratini e Caco Velho e até a magnífica canção francesa Non, Je Ne Regrette Rien.
Para relembrar estes tempos do José Alves Monteiro, escolhi o tema Txakuparika, que corresponde ao 4º disco gravado pelo Trio em 1962. Para quem não sabe, Txakuparica é uma região do Bailundo, localizado no Planalto Central, zona rica e fértil de Angola.
Mais palavras para quê, importa neste momento recordar esta actuação ao vivo para a RTP, na Feira Popular de Lisboa, corria o ano de 1963.
"Angola é rica em ouro negro, mas agora o ouro negro em vez de brotar do chão, brota da garganta de dois jovens, o Raul e o Milo”. Assim disse Maria Lucília Dias do Rádio Clube do Congo Português.
Kurikutela marca a estreia do Duo Ouro Negro em Angola e mais tarde em Portugal.
Este tema conta a “História e reacções de um negro do interior que vê e anda de comboio pela primeira vez”, comboio esse que atravessava Angola até ao Leste, tendo sido editado em Portugal em 1960. Este disco de estreia contou com a colaboração do popular brasileiro Sivuca e o seu conjunto, que na época actuava no Parque Mayer, tendo sido recebido com um grande entusiasmo, a tal ponto que Kurikutela viria a ser gravado 3 vezes, 1960, 1966 e 1971.
Penso que este vídeo é a prova da harmonia entre estas duas vozes, o resto... É Ouro Negro!
Em 1970 Raul Aires Peres e Milo Vitória Pereira tinham em mãos alguns ambiciosos projectos. Gravação do disco Blackground, um filme para a TV Francesa sobre Angola (em que eles seriam os principais intervenientes), participação nos festivais “Ibérico” e de música popular de Tóquio, e ainda a gravação de dois EP’s. Um deles seria o “Rainha Dona Amélia”.
Na verdade o disco viria a ser chamado de “Romança da Rainha”, esta música segundo Raul “é uma canção muito séria com um poema meu que musiquei”. Esse poema não seria mais do que a biografia da Rainha Dona Amélia, em que o Duo Ouro Negro canta em forma de homenagem à última Rainha que Portugal conheceu. Não foi um projecto isolado na carreira dos artistas, pois homenagearam também Salvador Allende em 1975, bem como Alda Lara e Viriato Cruz.
Este tema é pouco conhecido do público em geral, nem sempre Portugal vibrou com histórias de Princesas de terras distantes que se tornariam Rainhas, mas penso que esta seja uma justa homenagem a uma figura que influenciou os destinos deste país.
Já referi várias vezes neste blog a importância que o ano de 1966 teve para o Duo Ouro Negro, além de terem firmado uma verdadeira carreira internacional, editam em Portugal o seu primeiro LP denominado “O Espectáculo é Ouro Negro”.
No evento de lançamento deste disco esteve presente a Imprensa, Rádio e Televisão, tendo sido colocada a questão da selecção musical ter sido feita à base de canções já conhecidas do público português, não adicionando nenhum tema de folclore angolano, ao que lhes foi questionado se teriam falta de reportório.
Na verdade o Duo Ouro Negro esquivou-se um pouco a esta pergunta, uma vez que estava quase pronto um outro disco que deitava por terra essa questão, era ele Mulowa Afrika, mas o momento não teria sido oportuno para desvendar essa surpresa.
Assim neste Espectáculo é Ouro Negro, pretenderam reunir algumas das interpretações mais apreciados pelo público nacional e internacional, tais como Dio Come Ti Amo, Au Revoir Sylvie, Kurikutela, Click Song, Jikele Mauenhi, Menino de Braçanã, entre outros...
Para apresentar este disco escolhi o tema Garotas do Porto, de certo modo este tema foi um tributo à cidade do Porto, que os artistas tanto admiravam.
Em 1969 o Duo Ouro Negro participa pela segunda vez no Grande Prémio TV da Canção. Este ano coincidiu com a grande digressão pela América Latina onde gravaram com Jorge Leone o LP “Latino”.
Relembro que tinham participado pela primeira vez em 1967 com duas canções, tendo obtido um 2ª lugar.
Neste festival participaram nomes como Fernando Tordo, Artur Garcia, Simone de Oliveira e Madalena Iglésias. A música escolhida para participar neste festival foi Tenho Amor Para Amar, com letra de João Maria Tudela e música de Fernando Alvim.
Obtiveram 49 pontos que lhes deu o segundo lugar na votação final, tendo ganho a célebre música Desfolha com Simone de Oliveira.
É obrigatório escutar este tema que Raul e Milo levaram ao VI Grande Prémio TV da Canção com orquestra do grande Joaquim Luís Gomes.
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Após a dissolução da Orfeu, a VC teve uma boa oportunidade de recuperar um contrato com o Duo Ouro Negro, tinham passado quase 8 anos desde o último registo para esta editora.
Assim em 1984 gravam o LP Aos Nossos Amigos, com produção de Milo Mac-Mahon e um reportório variado, incluindo temas bem conhecidos do público português bem como um medley de Folclore Angolano (que estão a escutar).
Tal como o título do álbum indica, foi um tributo àqueles que ao longo de mais de 25 anos, escutaram entusiasticamente os grandes sucessos deste dueto incrível, canta-se em português, francês, inglês e kimbundo.
Nele estão incluídas novas versões de Ce Palmier e do Quando Cheguei ao Brasil, com arranjos magníficos de Mike Sergeant, e ainda dois temas cantados unicamente pelo Milo, que não deixam transparecer o avançado estado de debilidade que padecia (Pois é... e Último Amigo).
O disco saiu no final de 1984, num momento angustiante para os amigos do Duo Ouro Negro, Milo piorara bastante e o que mais se temia acabou por acontecer poucos meses depois.
Não foi possível realizar uma tournée de apresentação, daí ser um disco pouco conhecido do público, no entanto, é de referir a importância que tem pelo reportório estilizado que apresenta.
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Na década de 60, a interpretação de música pop internacional, era um hábito dos cantores portugueses. Grandes sucessos lá fora, seriam também grandes sucessos cá dentro!
Em parte corresponde a uma grande verdade, não foram poucos os cantores a optarem por esta forma de massificar vendas de discos, o Duo Ouro Negro seguindo a onda, de forma momentânea colocaram o reportório folclórico um pouco à margem recriando temas fabulosos que se ouviam lá fora. O melhor exemplo que posso dar é o caso do Agora Vou Ser Feliz, original dos Beatles “I Want To Hold Your Hand” grande sucesso de 1964.
Amiga pessoal de Raul e Milo, Miriam Makeba, Sul-Africana de nascimento obteve um sucesso estrondoso com Pata Pata no fim da década de 60. Não ficando alheio a isso, o Duo gravou esse mesmo tema em Portugal, com arranjos e Orquestra do saudoso Jorge Machado.
A meu ver não fica a dever nada à versão original!
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Por aqui a história do Duo Ouro Negro é contada em avanços e recuos propositados. O “passado recente” é muito importante, mas de vez em quando sabe muito bem recordar o início da década de 60, em que por qualquer casa que o Raul e o Milo passassem, eram recebidos em euforia!
Por isso resolvi trazer até estas paragens um dos temas obrigatórios em qualquer colectânea deste Duo. Cavaleiro Solitário (1964), da autoria de Monterey, está muito bem interpretado pelo Conjunto Mistério que dispensa qualquer apresentação.
O melhor é ouvir e sonhar...
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Antecipando a publicação da entrevista sobre o projecto Blackground, achei importante colocar novamente o post sobre o mesmo álbum, mas com algumas alterações importantes.
Antes mesmo da grande jornada empreendida pelo Duo Ouro Negro nos Estados Unidos da América, nasceu a vontade de criar um projecto dedicado às raízes da Música Africana. Assim em 1971 nasceu o projecto mais ambicioso de sempre, o Blackground!
Esse álbum incluía temas africanos com várias influências musicais, fruto da aculturação que o próprio Homem Negro fez nos países para onde foi levado.
O disco contou com a participação dos bem conhecidos “Objectivo”, Kevin Hoidale (teclados) e do Zé Nabo (Baixo); Adrian Rainsy (Bateria), e James Thomas (Viola Eléctrica). Adrian Rainsy juntamente com Kevin Hoidale e João Ramos Jorge (Rão Kyao) foram "colegas nos "The Brigde". (revisto)
Estávamos a viver os tempos áureos da música Rock em Portugal, e o Duo Ouro Negro aderia ao movimento psicadélico, com sons nunca antes tocados.
Nesse mesmo ano, acabavam por estrear em Vilar de Mouros, ao lado de artistas como Elton Jonh, Amália Rodrigues, Quarteto 1111, entre tantos outros, o espectáculo com o mesmo nome “Blackground”.
Mas Portugal não estava preparado para tal, viviam-se tempos de censura, e não foi visto com bons olhos que as grandes vedetas do cançonetismo dessem um exemplo de conciencialização para o orgulho do Homem Negro. A partir daqui o Duo passou a ser alvo de forte censura nos seus espectáculos, rumou mais para a América e Ásia, voltando, dez anos depois a editar um novo Blackground, acompanhado de conjunto de artistas invejável. Ficou para a posterioridade aquilo que se julgava impensável, esta foto de Vilar de Mouros, de Lobo Pimentel Jr.
| Blackground.mp3 |
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Na minha opinião neste Epopeia é atingido por completo o verdadeiro sentido de Blackground, com 3 maravilhosas músicas non-stop Muinda Kwateni e Chegou o Homem Branco que podem ouvir de seguida.
Este disco foi também o último de originais para a Valetim de Carvalho na década de 70, passando a gravar nos anos seguintes para Arnaldo Trindade da Orfeu.
| Muinda Kwateni Chegou o Homem Branco |
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Mulowa Afrika foi o 2º álbum editado em LP pelo Duo Ouro Negro, pela primeira vez repleto de folclore de Angola e ainda uma canção tradicional de Goa "Canção da Despedida". Este disco teve o acompanhamento da popular banda Thilo's Combo (de Thilo Krasmann) e do coro feminino da Emissora Nacional. Segundo os artistas "consideram este disco como o melhor da sua carreira, tanto nas canções folk, como nos arranjos das outras canções religiosas...", de onde se destaca Kyrie e Kuemba Ritôko.
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