quinta-feira, julho 10, 2008

Rua D'Iliza

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A Rua D’Iliza faz parte da história da televisão em Portugal.

Esta afirmação tem todo o fundamento, Raul e Milo inspirados na Rua Araújo da então Lourenço Marques, decidiram chamar à atenção do grande público para um pouco da realidade africana.

Esta opereta, feita num fim-de-semana nos estúdios da Tobis, encheu de glamour a televisão, mesmo tendo custado 8 contos!

Herlander Peyroteo foi um dos grandes responsáveis deste grande sucesso, mas a vivência do Ouro Negro, com a sua carreira internacional, trouxe até nós um pouco do que já se fazia lá fora nos grandes espectáculos da Broadway.

Segundo Raul “haviam poucos mulatos naquela época aqui na Tuga, daí que fomos buscar os mais morenos”, dos Sheiks (Carlos Mendes Paulo de Carvalho, Fernando Chaby, Edmundo Silva), Lilly Tchiumba, Dany Boavida, são alguns dos elementos deste magnífico elenco.

Nesta primeira sequência Raul apresenta a opereta, em que a chegada de Iliza fez logo despertar o interesse dos dois rivais, dividindo-a definitivamente, pois não sabia qual dos dois havia de escolher.

Nesta segunda sequência, os rivais acabam em briga, e Iliza dá uma solução para esse problema, ambos deveriam partir para terras longínquas, e aquele que mais rico voltasse, ficaria com o seu coração.

Nesta terceira e última sequência, Raul e Milo chegam riquíssimos das Terras do Sol Posto, mas Iliza trocou-lhes as voltas e acabou por ficar com um Irlandês. De salientar a actuação dos Sheiks nesse momento em que inconsolados choram a perda da sua amada.

Os dois artistas não viram a estreia em televisão porque tiveram um espectáculo no Porto, mas à saída ouviram um garoto a cantar “Iliza Ué”, e Raul teve a certeza “resultou!”.

No dia seguinte Mário Castrim encheu a página Canal da Crítica com o seguinte texto: “Uma lufada de ar fresco no Lumiar. Até que enfim que ficamos 3 quartos de hora em frente do televisor sem nos aperceber.”

A Rua D’Iliza seria posteriormente seleccionada para representar a televisão portuguesa no Festival de Milão.

Raul queixou-se: “Infelizmente a RTP não deu grande importância à Rua D’Iliza”, não se fez mais espectáculos do género, não que tenham faltado ideias. A técnica imortalizou para sempre um espectáculo inovador, com toda a ingenuidade dos artistas, mas acima de tudo, uma prova do grande talento dos saudosos Raul e Milo.

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quinta-feira, julho 03, 2008

Brevemente

Brevemente teremos por aqui um dos pontos mais altos da carreira do Duo Ouro Negro em Portugal, com a célebre Rua D’Iliza.

Recordaremos alguns momentos dessa opereta que marcou a história da televisão em Portugal.

Até lá...

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quinta-feira, maio 15, 2008

Muamba, Banana e Cola

A história do Duo Ouro Negro é realmente fantástica, não haverão muitos grupos hoje em dia que se orgulhem de poder editar os seus discos em tão longínquas paragens como o Raul e o Milo.

Começou em 1965 em Paris com o Kwela, e não mais parou. Estados Unidos da América, Brasil, Colômbia, Argentina, Espanha, Alemanha, Israel, Angola, Moçambique, África do Sul, Japão... Tantos, tantos países.

Mas o ano de 1969 marcou particularmente o Duo, gravam em Buenos Aires para a Odeon, acompanhados pela orquestra de Jorge Leone um LP que marcaria a música de então.

El Fuego Compartido, Quando Cheguei ao Brasil e Muamba, Banana e Cola foram grandes êxitos, estas duas últimas canções viriam a ser regravadas nos anos 80 com outros arranjos. Escolhi relembrar Muamba, Banana e Cola, incluída no disco duplo “Blackground” de 1981.

Nesta actuação de 1984 recordamos a faceta “farrista” destes dois músicos, acompanhados pelo grande conjunto Raízes.

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quinta-feira, maio 01, 2008

Mulowa

Já lá vai algum tempo sem escrever por aqui, não por falta de vontade, mas muito por falta de tempo, peço perdão por não actualizar este espaço mais regularmente.

Decidi escrever sobre uma canção muito bonita do Duo Ouro Negro, talvez até uma das mais bonitas, falo-vos de Mulowa.

Tal como no vídeo que poderão assistir em seguida, Raul explica o significado de Mulowa, ou Mãe de Gémeos e a tradição que está relacionada com o nascimento.

Nesta pintura de 1980, Indipwo retrata da melhor forma aquilo que vos vai contando, os círculos de mulheres à volta da parturiente, em tons quentes e cores fortes como ele tanto gostava. Esta mesma pintura seria utilizada para capa da reedição do disco Mulowa Afrika no ano de 1982.

É incrível a harmonia destas duas vozes, não existe igual.

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sábado, março 22, 2008

Recordar os tempos do "Trio"

Entre 1961 e 1963 o Ouro Negro foi constituído por 3 elementos, Raul Aires Peres, Milo Vitória Pereira e José Alves Monteiro, mais conhecido por Gin.

Ao longo desses anos foram gravados 5 EP’s, folclore Angolano na sua maioria, imortalizando para sempre versões de Ana N’Gola Dilenué, Kolonial, Cidrálea, Palamiê, Birin Birin... mas também temas como Garota, o célebre Mãe Preta de Piratini e Caco Velho e até a magnífica canção francesa Non, Je Ne Regrette Rien.

Para relembrar estes tempos do José Alves Monteiro, escolhi o tema Txakuparika, que corresponde ao 4º disco gravado pelo Trio em 1962. Para quem não sabe, Txakuparica é uma região do Bailundo, localizado no Planalto Central, zona rica e fértil de Angola.

Mais palavras para quê, importa neste momento recordar esta actuação ao vivo para a RTP, na Feira Popular de Lisboa, corria o ano de 1963.

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domingo, fevereiro 17, 2008

Kurikutela

"Angola é rica em ouro negro, mas agora o ouro negro em vez de brotar do chão, brota da garganta de dois jovens, o Raul e o Milo”. Assim disse Maria Lucília Dias do Rádio Clube do Congo Português.

Kurikutela marca a estreia do Duo Ouro Negro em Angola e mais tarde em Portugal.

Este tema conta a “História e reacções de um negro do interior que vê e anda de comboio pela primeira vez”, comboio esse que atravessava Angola até ao Leste, tendo sido editado em Portugal em 1960. Este disco de estreia contou com a colaboração do popular brasileiro Sivuca e o seu conjunto, que na época actuava no Parque Mayer, tendo sido recebido com um grande entusiasmo, a tal ponto que Kurikutela viria a ser gravado 3 vezes, 1960, 1966 e 1971.

Penso que este vídeo é a prova da harmonia entre estas duas vozes, o resto... É Ouro Negro!

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

23 Anos de Saudade

Foi numa Quarta-Feira de cinzas que partiu a nossa estrela Milo Mac-Mahon.

Não poderia deixar passar essa data, sem relembrar o dia que enlutou para sempre, os amigos e fãs, deste que foi um dos maiores embaixadores da música Angolana por todo o Mundo.

Em forma de homenagem, partilho um pequeno vídeo em que Milo canta o tema "Porquê", na célebre Rua D’Iliza, transmitida em 1968 na RTP.

O nosso pensamento está com ele.

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domingo, janeiro 20, 2008

Valsa do Vaqueiro

Quem não se recorda da célebre Valsa do Vaqueiro?

Aquela música que nos transporta para o tempo dos cowboys americanos, que as crianças sonhavam nos seus cavalos de pau... O Duo Ouro Negro foi buscar o original do Bob Nelson e recriou com o seu estilo muito particular este belo tema.

Felizmente temos mais um pequeno vídeo, desta vez numa actuação para o programa especial de passagem de ano “Minuto Zero”, transmitido no dia 31 de Dezembro de 1965. Um bem-haja para quem o decidiu partilhar connosco.

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domingo, outubro 21, 2007

Tenho Amor Para Amar - Festival 1969

Mais um momento histórico da carreira do Duo Ouro Negro, para saber mais clicar aqui!

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domingo, outubro 14, 2007

O Espectáculo é Ouro Negro

Já referi várias vezes neste blog a importância que o ano de 1966 teve para o Duo Ouro Negro, além de terem firmado uma verdadeira carreira internacional, editam em Portugal o seu primeiro LP denominado “O Espectáculo é Ouro Negro”.

No evento de lançamento deste disco esteve presente a Imprensa, Rádio e Televisão, tendo sido colocada a questão da selecção musical ter sido feita à base de canções já conhecidas do público português, não adicionando nenhum tema de folclore angolano, ao que lhes foi questionado se teriam falta de reportório.

Na verdade o Duo Ouro Negro esquivou-se um pouco a esta pergunta, uma vez que estava quase pronto um outro disco que deitava por terra essa questão, era ele Mulowa Afrika, mas o momento não teria sido oportuno para desvendar essa surpresa.

Assim neste Espectáculo é Ouro Negro, pretenderam reunir algumas das interpretações mais apreciados pelo público nacional e internacional, tais como Dio Come Ti Amo, Au Revoir Sylvie, Kurikutela, Click Song, Jikele Mauenhi, Menino de Braçanã, entre outros...

Para apresentar este disco escolhi o tema Garotas do Porto, de certo modo este tema foi um tributo à cidade do Porto, que os artistas tanto admiravam.

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terça-feira, outubro 09, 2007

Ainda o Festival com "Livro Sem Fim"

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quarta-feira, setembro 26, 2007

Foi assim há 40 anos...

Para saber mais clicar aqui.

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segunda-feira, setembro 03, 2007

VI Grande Prémio TV da Canção

Em 1969 o Duo Ouro Negro participa pela segunda vez no Grande Prémio TV da Canção. Este ano coincidiu com a grande digressão pela América Latina onde gravaram com Jorge Leone o LP “Latino”.

Relembro que tinham participado pela primeira vez em 1967 com duas canções, tendo obtido um 2ª lugar.

Neste festival participaram nomes como Fernando Tordo, Artur Garcia, Simone de Oliveira e Madalena Iglésias. A música escolhida para participar neste festival foi Tenho Amor Para Amar, com letra de João Maria Tudela e música de Fernando Alvim.

Obtiveram 49 pontos que lhes deu o segundo lugar na votação final, tendo ganho a célebre música Desfolha com Simone de Oliveira.

É obrigatório escutar este tema que Raul e Milo levaram ao VI Grande Prémio TV da Canção com orquestra do grande Joaquim Luís Gomes.

Tenho Amor Para Amar

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domingo, agosto 26, 2007

Música da Semana - Carolina

quarta-feira, agosto 08, 2007

La Kwela

O Kwela marcou definitivamente o ano de 1965, ao ponto de ser considerado o ritmo desse Verão. A moda pegou em Paris e um pouco por toda a Europa, de tal forma que a dança do Kwela era ensinada em revistas da época.

Na verdade Kwela significa Flauta no dialecto Zulu, e não é mais do que um misto de twist, surf e uma dança de ritual africana.

Pela primeira vez Raul e Milo gravam para a Pathé Marconi, com o EP “La Kwela” que os lançou para sempre por terras Gaulesas. Em Portugal era lançado esse mesmo disco, com o acompanhamento do célebre Conjunto Mistério tendo grande aceitação do público.

La Kwela

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domingo, julho 15, 2007

Pata Pata

Na década de 60, a interpretação de música pop internacional, era um hábito dos cantores portugueses. Grandes sucessos lá fora, seriam também grandes sucessos cá dentro!

Em parte corresponde a uma grande verdade, não foram poucos os cantores a optarem por esta forma de massificar vendas de discos, o Duo Ouro Negro seguindo a onda, de forma momentânea colocaram o reportório folclórico um pouco à margem recriando temas fabulosos que se ouviam lá fora. O melhor exemplo que posso dar é o caso do Agora Vou Ser Feliz, original dos Beatles “I Want To Hold Your Hand” grande sucesso de 1964.

Amiga pessoal de Raul e Milo, Miriam Makeba, Sul-Africana de nascimento obteve um sucesso estrondoso com Pata Pata no fim da década de 60. Não ficando alheio a isso, o Duo gravou esse mesmo tema em Portugal, com arranjos e Orquestra do saudoso Jorge Machado.

A meu ver não fica a dever nada à versão original!

Pata Pata

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domingo, julho 08, 2007

Música da Semana

Mulowa (1967)

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sábado, junho 30, 2007

Grande Prémio TV da Canção 1967

Terminado o ano de 1966, o novo ano de 1967 trouxe novos projectos para o Duo Ouro Negro. Estava em preparação um LP que começava a trilhar o futuro deste Duo além do Atlântico Mulowa Afrika, e pela primeira vez iriam participar num festival de música em Portugal, ainda denominado de Grande Prémio TV da Canção (mais tarde Festival da Canção).

O festival ia no 4º ano e contava com nomes bem conhecidos como Artur Garcia, Maria de Lurdes Resende, Marco Paulo, Eduardo Nascimento, António Calvário...

Raul e Milo entram com o pé direito no festival com a música Quando Amanhecer, conquistando na 1ª eliminatória o 1º lugar com 72 pontos, tendo seguido à 2ª eliminatória com Marco Paulo (54 pontos) e Maria de Lurdes Resende (53 pontos).

Na 2ª eliminatória a luta foi renhida com o Eduardo Nascimento que passou à final em 1º lugar com 78 pontos, seguido do Duo Livro sem Fim com 76 pontos, e ainda Artur Garcia com 55 pontos.

Na grande final o Duo ficou em 2º lugar (78 pontos) com Quando Amanhecer, ganhando o Eduardo Nascimento “E o Vento Mudou” com 120 pontos.

Acompanhados por orquestra dirigida por Manuel Viegas, gravam o disco que inclui as 2 músicas que levaram ao Grande Prémio TV da Canção Portuguesa 1967.

Quando Amanhecer
Livro sem Fim

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quarta-feira, junho 20, 2007

Novos Êxitos com Conjunto Mistério

Por aqui a história do Duo Ouro Negro é contada em avanços e recuos propositados. O “passado recente” é muito importante, mas de vez em quando sabe muito bem recordar o início da década de 60, em que por qualquer casa que o Raul e o Milo passassem, eram recebidos em euforia!

Por isso resolvi trazer até estas paragens um dos temas obrigatórios em qualquer colectânea deste Duo. Cavaleiro Solitário (1964), da autoria de Monterey, está muito bem interpretado pelo Conjunto Mistério que dispensa qualquer apresentação.

O melhor é ouvir e sonhar...

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quinta-feira, maio 10, 2007

Ouro Negro na Exposição "No Tempo do Gira-Discos"

A música portuguesa não foi esquecida!

A prova disso é a exposição organizada pelo Museu da Música, com cerca de 200 discos de vinil (LP's, singles e Ep's) que contam um pouco da história da música gravada no nosso país entre a década de 60 e 80.

Nomes que vão desde a música de intervenção, como José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, até ao rock de outros tempos com Os Ekos, Os Conchas, Sheiks...

O Ouro Negro também não foi esquecido, e está presente com o EP Garota, no tempo do Trio, acompanhados pela orquestra de Joaquim Luís Gomes. Lembro que este disco alcançou um grande sucesso em Portugal, não apenas com o tema que intitula o EP, mas sobretudo com o célebre Mãe Preta. Seguindo os ritmos que se ouviam pela Europa, foi ainda incluído um tema Turco, Uska Dará, que tiveram a ideia de gravar, após a brilhante actuação em Estocolmo com a Eartha Kitt.

A exposição estará até 23 de Junho no Museu da Música (estação de Metro do alto do Moinhos em Lisboa).

Venham mais iniciativas destas.

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