quinta-feira, maio 01, 2008

Mulowa

Já lá vai algum tempo sem escrever por aqui, não por falta de vontade, mas muito por falta de tempo, peço perdão por não actualizar este espaço mais regularmente.

Decidi escrever sobre uma canção muito bonita do Duo Ouro Negro, talvez até uma das mais bonitas, falo-vos de Mulowa.

Tal como no vídeo que poderão assistir em seguida, Raul explica o significado de Mulowa, ou Mãe de Gémeos e a tradição que está relacionada com o nascimento.

Nesta pintura de 1980, Indipwo retrata da melhor forma aquilo que vos vai contando, os círculos de mulheres à volta da parturiente, em tons quentes e cores fortes como ele tanto gostava. Esta mesma pintura seria utilizada para capa da reedição do disco Mulowa Afrika no ano de 1982.

É incrível a harmonia destas duas vozes, não existe igual.

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domingo, outubro 14, 2007

O Espectáculo é Ouro Negro

Já referi várias vezes neste blog a importância que o ano de 1966 teve para o Duo Ouro Negro, além de terem firmado uma verdadeira carreira internacional, editam em Portugal o seu primeiro LP denominado “O Espectáculo é Ouro Negro”.

No evento de lançamento deste disco esteve presente a Imprensa, Rádio e Televisão, tendo sido colocada a questão da selecção musical ter sido feita à base de canções já conhecidas do público português, não adicionando nenhum tema de folclore angolano, ao que lhes foi questionado se teriam falta de reportório.

Na verdade o Duo Ouro Negro esquivou-se um pouco a esta pergunta, uma vez que estava quase pronto um outro disco que deitava por terra essa questão, era ele Mulowa Afrika, mas o momento não teria sido oportuno para desvendar essa surpresa.

Assim neste Espectáculo é Ouro Negro, pretenderam reunir algumas das interpretações mais apreciados pelo público nacional e internacional, tais como Dio Come Ti Amo, Au Revoir Sylvie, Kurikutela, Click Song, Jikele Mauenhi, Menino de Braçanã, entre outros...

Para apresentar este disco escolhi o tema Garotas do Porto, de certo modo este tema foi um tributo à cidade do Porto, que os artistas tanto admiravam.

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domingo, julho 22, 2007

Aos Nossos Amigos

Após a dissolução da Orfeu, a VC teve uma boa oportunidade de recuperar um contrato com o Duo Ouro Negro, tinham passado quase 8 anos desde o último registo para esta editora.

Assim em 1984 gravam o LP Aos Nossos Amigos, com produção de Milo Mac-Mahon e um reportório variado, incluindo temas bem conhecidos do público português bem como um medley de Folclore Angolano (que estão a escutar).

Tal como o título do álbum indica, foi um tributo àqueles que ao longo de mais de 25 anos, escutaram entusiasticamente os grandes sucessos deste dueto incrível, canta-se em português, francês, inglês e kimbundo.

Nele estão incluídas novas versões de Ce Palmier e do Quando Cheguei ao Brasil, com arranjos magníficos de Mike Sergeant, e ainda dois temas cantados unicamente pelo Milo, que não deixam transparecer o avançado estado de debilidade que padecia (Pois é... e Último Amigo).

O disco saiu no final de 1984, num momento angustiante para os amigos do Duo Ouro Negro, Milo piorara bastante e o que mais se temia acabou por acontecer poucos meses depois.

Não foi possível realizar uma tournée de apresentação, daí ser um disco pouco conhecido do público, no entanto, é de referir a importância que tem pelo reportório estilizado que apresenta.

Tweza

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domingo, julho 08, 2007

Música da Semana

Mulowa (1967)

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sexta-feira, abril 20, 2007

Blackground em Vilar de Mouros

Antecipando a publicação da entrevista sobre o projecto Blackground, achei importante colocar novamente o post sobre o mesmo álbum, mas com algumas alterações importantes.

Antes mesmo da grande jornada empreendida pelo Duo Ouro Negro nos Estados Unidos da América, nasceu a vontade de criar um projecto dedicado às raízes da Música Africana. Assim em 1971 nasceu o projecto mais ambicioso de sempre, o Blackground!

Esse álbum incluía temas africanos com várias influências musicais, fruto da aculturação que o próprio Homem Negro fez nos países para onde foi levado.

O disco contou com a participação dos bem conhecidos “Objectivo”, Kevin Hoidale (teclados) e do Zé Nabo (Baixo); Adrian Rainsy (Bateria), e James Thomas (Viola Eléctrica). Adrian Rainsy juntamente com Kevin Hoidale e João Ramos Jorge (Rão Kyao) foram "colegas nos "The Brigde". (revisto)

Estávamos a viver os tempos áureos da música Rock em Portugal, e o Duo Ouro Negro aderia ao movimento psicadélico, com sons nunca antes tocados. Nesse mesmo ano, acabavam por estrear em Vilar de Mouros, ao lado de artistas como Elton Jonh, Amália Rodrigues, Quarteto 1111, entre tantos outros, o espectáculo com o mesmo nome “Blackground”.

Mas Portugal não estava preparado para tal, viviam-se tempos de censura, e não foi visto com bons olhos que as grandes vedetas do cançonetismo dessem um exemplo de conciencialização para o orgulho do Homem Negro. A partir daqui o Duo passou a ser alvo de forte censura nos seus espectáculos, rumou mais para a América e Ásia, voltando, dez anos depois a editar um novo Blackground, acompanhado de conjunto de artistas invejável. Ficou para a posterioridade aquilo que se julgava impensável, esta foto de Vilar de Mouros, de Lobo Pimentel Jr.

Blackground.mp3

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segunda-feira, abril 16, 2007

Lindeza!

A segunda metade da década de 70 foi atribulada para o Duo Ouro Negro. Em 1976 fazem a última gravação da década para a EMI com um disco ao vivo, fazendo nos anos seguintes uma verdadeira travessia do deserto por terras portuguesas. Tal como outros músicos de então, foram afastados do panorama musical com conotações fascistas e cançonetistas.

Em 1977 gravam pela primeira vez para Arnaldo Trindade, mas infelizmente não obtiveram grande sucesso, e o Raúl ainda gravou a solo um single em 78.

Depois destes 3 anos em lume brando, finalmente voltam a gravar um LP desta vez para a Orfeu de Arnaldo Trindade, por sinal o LP que mais vendeu. O álbum teve a participação do mítico Mike Sergeant na guitarra, do já conhecido Zé Nabo, e do D'Jila Júnior.

Lindeza!, foi o nome escolhido pelos cantores para homenagear a Terra-Mãe (Minha Terra é grande mas será maior se eu a fizer crescer). Viviam-se tempos difíceis em Angola, e o Mega-Sucesso Vou Levar-te Comigo tentava levar uma mensagem de esperança a todos aqueles que se privavam da paz.

Extraí deste disco a música Despertar, porque constitui uma prova de que o grupo procurou sempre novos sons, novas fusões, como a da guitarra e o Kissange. Como dizia o Raúl, "O Ouro Negro é um marco histórico, e representa a simbiose entre a Europa e África".

Uma Lindeza!

Despertar.mp3

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

Epopeia / Lamento do Rei

Epopeia marca o regresso do Duo aos estúdios de gravação, após concorrerem ao festival da canção de 1974 com a Bailia dos Trovadores. Este álbum vem no seguimento do mítico Blackground editado 4 anos antes da gravação de Epopeia (1975). Acompanhados pelo conjunto Kalungas 4, a digressão de lançamento deste disco foi feita em plena revolução de independência em Angola e na longínqua Austrália, obtendo grande sucesso sobretudo no Oriente, onde actuaram em várias salas de espectáculo. O LP é composto por 10 músicas, e pode dizer-se que é um disco único na carreira do Ouro Negro, pois no Lado A (Epopeia) o alinhamento é de exclusiva responsabilidade do Raúl incluindo a pintura, enquanto no Lado B Lamento do Rei temos uma participação mais activa do Milo com poemas de Ana Maria de Menezes e um fabuloso desenho de António Villar de Sousa. Na minha opinião neste Epopeia é atingido por completo o verdadeiro sentido de Blackground, com 3 maravilhosas músicas non-stop Muinda Kwateni e Chegou o Homem Branco que podem ouvir de seguida. Este disco foi também o último de originais para a Valetim de Carvalho na década de 70, passando a gravar nos anos seguintes para Arnaldo Trindade da Orfeu.
Para quando uma edição deste disco em CD?
Muinda Kwateni Chegou o Homem Branco

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quarta-feira, novembro 15, 2006

Duo Ouro Negro - Mulowa Afrika

Mulowa Afrika foi o 2º álbum editado em LP pelo Duo Ouro Negro, pela primeira vez repleto de folclore de Angola e ainda uma canção tradicional de Goa "Canção da Despedida". Este disco teve o acompanhamento da popular banda Thilo's Combo (de Thilo Krasmann) e do coro feminino da Emissora Nacional. Segundo os artistas "consideram este disco como o melhor da sua carreira, tanto nas canções folk, como nos arranjos das outras canções religiosas...", de onde se destaca Kyrie e Kuemba Ritôko.
Entre cânticos de uma caçada e danças guerreiras Txizenguê e Mulowa (mulher bonita), o som da katxakata e do kissange embalam o ritmo contagiante da música Afrika (Kaiábula) que terão oportunidade de ouvir neste post. Este disco data do ano de 1967, viria a ser reeditado em 1974 e 1982, e ainda editado em França, Alemanha, Brasil, Argentina e nos Estados Unidos com o título The Music Of Africa today. Imperdível! Powered by Castpost

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terça-feira, outubro 03, 2006

Duo Latino

Compartido
Foi há 37 anos que o Duo Ouro Negro "conquistou" a América Latina. Foram muitos os espectáculos dados no ano de 1969, nas melhores salas da época, tendo terminado essa temporada com um disco memorável, "Latino", do qual extraí este tema El Fuego Compartido. Composto por jovens estudantes argentinos e com trechos de Ataualpa Yupanki. Tema esse que lhes valeu censura por parte das autoridades locais, numa época em que o Perú ameaçava Buenos Aires... Felizmente o vinil imortalizou esta belíssima música. Foto: Buenos Ayres
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sábado, setembro 30, 2006

Blackground 1971

Djimba
Antes mesmo da grande jornada empreendida pelo Duo Ouro Negro nos Estados Unidos da América, nasceu a vontade de criar um projecto dedicado às raízes do Homem Africano. Assim em 1971 nasceu o projecto mais ambicioso de sempre, o Blackground! Esse albúm incluía temas africanos com várias influências musicais, fruto da aculturação que o próprio Homem Negro fez nos países para onde foi levado. Nesse mesmo ano, estreavam em Vilar de Mouros, ao lado de artistas como Elton Jonh, Amália Rodrigues, Quarteto 1111, entre outros, o espectáculo com o mesmo nome do disco. Mas Portugal não estava preparado para tal, viviam-se tempos de censura, e não foi visto com bons olhos que as grandes vedetas do cançonetismo dessem um exemplo de conciencialização para o orgulho do Homem Negro. A partir daqui o Duo passou a ser alvo de forte censura nos seus espectáculos, mas felizmente ficou para a posterioridade aquilo que se julgava impensável, esta foto de Lobo Pimentel Jr.
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