domingo, fevereiro 17, 2008

Kurikutela

"Angola é rica em ouro negro, mas agora o ouro negro em vez de brotar do chão, brota da garganta de dois jovens, o Raul e o Milo”. Assim disse Maria Lucília Dias do Rádio Clube do Congo Português.

Kurikutela marca a estreia do Duo Ouro Negro em Angola e mais tarde em Portugal.

Este tema conta a “História e reacções de um negro do interior que vê e anda de comboio pela primeira vez”, comboio esse que atravessava Angola até ao Leste, tendo sido editado em Portugal em 1960. Este disco de estreia contou com a colaboração do popular brasileiro Sivuca e o seu conjunto, que na época actuava no Parque Mayer, tendo sido recebido com um grande entusiasmo, a tal ponto que Kurikutela viria a ser gravado 3 vezes, 1960, 1966 e 1971.

Penso que este vídeo é a prova da harmonia entre estas duas vozes, o resto... É Ouro Negro!

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domingo, novembro 18, 2007

Romança da Rainha

Em 1970 Raul Aires Peres e Milo Vitória Pereira tinham em mãos alguns ambiciosos projectos. Gravação do disco Blackground, um filme para a TV Francesa sobre Angola (em que eles seriam os principais intervenientes), participação nos festivais “Ibérico” e de música popular de Tóquio, e ainda a gravação de dois EP’s. Um deles seria o “Rainha Dona Amélia”.

Na verdade o disco viria a ser chamado de “Romança da Rainha”, esta música segundo Raul “é uma canção muito séria com um poema meu que musiquei”. Esse poema não seria mais do que a biografia da Rainha Dona Amélia, em que o Duo Ouro Negro canta em forma de homenagem à última Rainha que Portugal conheceu. Não foi um projecto isolado na carreira dos artistas, pois homenagearam também Salvador Allende em 1975, bem como Alda Lara e Viriato Cruz.

Este tema é pouco conhecido do público em geral, nem sempre Portugal vibrou com histórias de Princesas de terras distantes que se tornariam Rainhas, mas penso que esta seja uma justa homenagem a uma figura que influenciou os destinos deste país.

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sábado, setembro 22, 2007

Luanda Luandense com Kalungas

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segunda-feira, setembro 03, 2007

VI Grande Prémio TV da Canção

Em 1969 o Duo Ouro Negro participa pela segunda vez no Grande Prémio TV da Canção. Este ano coincidiu com a grande digressão pela América Latina onde gravaram com Jorge Leone o LP “Latino”.

Relembro que tinham participado pela primeira vez em 1967 com duas canções, tendo obtido um 2ª lugar.

Neste festival participaram nomes como Fernando Tordo, Artur Garcia, Simone de Oliveira e Madalena Iglésias. A música escolhida para participar neste festival foi Tenho Amor Para Amar, com letra de João Maria Tudela e música de Fernando Alvim.

Obtiveram 49 pontos que lhes deu o segundo lugar na votação final, tendo ganho a célebre música Desfolha com Simone de Oliveira.

É obrigatório escutar este tema que Raul e Milo levaram ao VI Grande Prémio TV da Canção com orquestra do grande Joaquim Luís Gomes.

Tenho Amor Para Amar

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domingo, agosto 26, 2007

Música da Semana - Carolina

quarta-feira, agosto 08, 2007

La Kwela

O Kwela marcou definitivamente o ano de 1965, ao ponto de ser considerado o ritmo desse Verão. A moda pegou em Paris e um pouco por toda a Europa, de tal forma que a dança do Kwela era ensinada em revistas da época.

Na verdade Kwela significa Flauta no dialecto Zulu, e não é mais do que um misto de twist, surf e uma dança de ritual africana.

Pela primeira vez Raul e Milo gravam para a Pathé Marconi, com o EP “La Kwela” que os lançou para sempre por terras Gaulesas. Em Portugal era lançado esse mesmo disco, com o acompanhamento do célebre Conjunto Mistério tendo grande aceitação do público.

La Kwela

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domingo, julho 15, 2007

Pata Pata

Na década de 60, a interpretação de música pop internacional, era um hábito dos cantores portugueses. Grandes sucessos lá fora, seriam também grandes sucessos cá dentro!

Em parte corresponde a uma grande verdade, não foram poucos os cantores a optarem por esta forma de massificar vendas de discos, o Duo Ouro Negro seguindo a onda, de forma momentânea colocaram o reportório folclórico um pouco à margem recriando temas fabulosos que se ouviam lá fora. O melhor exemplo que posso dar é o caso do Agora Vou Ser Feliz, original dos Beatles “I Want To Hold Your Hand” grande sucesso de 1964.

Amiga pessoal de Raul e Milo, Miriam Makeba, Sul-Africana de nascimento obteve um sucesso estrondoso com Pata Pata no fim da década de 60. Não ficando alheio a isso, o Duo gravou esse mesmo tema em Portugal, com arranjos e Orquestra do saudoso Jorge Machado.

A meu ver não fica a dever nada à versão original!

Pata Pata

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quarta-feira, junho 20, 2007

Novos Êxitos com Conjunto Mistério

Por aqui a história do Duo Ouro Negro é contada em avanços e recuos propositados. O “passado recente” é muito importante, mas de vez em quando sabe muito bem recordar o início da década de 60, em que por qualquer casa que o Raul e o Milo passassem, eram recebidos em euforia!

Por isso resolvi trazer até estas paragens um dos temas obrigatórios em qualquer colectânea deste Duo. Cavaleiro Solitário (1964), da autoria de Monterey, está muito bem interpretado pelo Conjunto Mistério que dispensa qualquer apresentação.

O melhor é ouvir e sonhar...

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quinta-feira, maio 10, 2007

Ouro Negro na Exposição "No Tempo do Gira-Discos"

A música portuguesa não foi esquecida!

A prova disso é a exposição organizada pelo Museu da Música, com cerca de 200 discos de vinil (LP's, singles e Ep's) que contam um pouco da história da música gravada no nosso país entre a década de 60 e 80.

Nomes que vão desde a música de intervenção, como José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, até ao rock de outros tempos com Os Ekos, Os Conchas, Sheiks...

O Ouro Negro também não foi esquecido, e está presente com o EP Garota, no tempo do Trio, acompanhados pela orquestra de Joaquim Luís Gomes. Lembro que este disco alcançou um grande sucesso em Portugal, não apenas com o tema que intitula o EP, mas sobretudo com o célebre Mãe Preta. Seguindo os ritmos que se ouviam pela Europa, foi ainda incluído um tema Turco, Uska Dará, que tiveram a ideia de gravar, após a brilhante actuação em Estocolmo com a Eartha Kitt.

A exposição estará até 23 de Junho no Museu da Música (estação de Metro do alto do Moinhos em Lisboa).

Venham mais iniciativas destas.

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segunda-feira, março 12, 2007

Serenata a Luanda

"Quando a noite é de Luar

A brisa que vem do mar,

Envolve num doce abraço

Os contornos da Ilha."

Jose da Conceição Gouveia escreveu, o Duo cantou.

Decorria o início de 1961 e o Ouro Negro entrava no estúdio da VC para gravar o seu 3º disco com mais 4 títulos. Desta vez não de folclore, mas de compositores bem conhecidos como Jerónimo Bragança e Eleutério Sanches.

Ficou para sempre célebre a música "Luanda debruçada sobre o mar, onde as ondas uma a uma vêm desfazer-se em espuma...". Pessoalmente, é o verdadeiro hino à capital Angolana. Mas preferi chamar até nós Serenata a Luanda, em tudo muito idêntica à música anterior, mas com composição de José da Conceição Gouveia.

Por esta altura já o Duo se preparava para a sua primeira digressão pela Europa, onde actuaram para a televisão, rádio e casas de espectáculo, percorrendo Espanha (onde a Embaixada de Portugal lhes atribuiu a Medalha de Mérito), França, Suécia (onde a principal actuação foi no «Burns», em Estocolmo, com Eartha Kitt) e Finlândia, além de Angola e Moçambique. Mais uma página da grande Epopeia destes músicos.

Duo Ouro Negro

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terça-feira, dezembro 26, 2006

Kubatokuê Mulata - Medalha de Ouro

O ano de 67, à semelhança do ano mágico de 66 "conquista do Olympia", trouxe grandes sucessos ao Duo. Depois de editar o LP Mulowa Afrika e competirem no Grande Prémio TV da Canção ao lado de artistas como o Angolano Eduardo Nascimento, Marco Paulo, Artur Garcia e António Calvário, chegáram ao Brasil, onde participaram no 2º Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro.
Neste Festival, Kubatokuê Mulata, valeu-lhes a medalha de Ouro, 1º lugar, e também a porta de entrada para a América Latina. Com música de Milo e letra de Raúl, Kubatokuê é uma expressão que se utiliza no Nordeste de Angola para se cumprimentar ou despedir das pessoas.
Vale a pena ouvir e balançar...
"Kubatokuê N'vunda D'jilanda"! (Lá em casa há grande festa!)

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terça-feira, setembro 19, 2006

De Novo Com o Duo...

uro Negro
1964 marca o regresso do Ouro Negro à formação de Duo, tendo gravado 2 discos com o célebre conjunto de rock Conjunto Mistério. É um dos EP's mais marcantes da história da música portuguesa, inclui o tema Agora Vou Ser Feliz, que é a versão portuguesa do I want to hold your hand dos Beatles. Extraí este tema Beija-me da autoria do Emílio Vitória Pereira, e que é simultaneamente um bom exemplo da busca de diversidade musical destes dois músicos.
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quarta-feira, setembro 13, 2006

Trio Ouro Negro


Para muitos de vós o nome Trio Ouro Negro não é completamente desconhecida. Seria provável que para primeiros posts eu escrevesse sobre o Duo e não o Trio, mas julgo que é pertinente deixar algumas considerações. Como sabemos, Raúl e Milo vieram para Portugal em 1959, depois de terem assinado um contrato com um empresário português (Ribeiro Belga) que viu a sua brilhante actuação em Luanda. No entanto pouco se sabe acerca da formação original do grupo. Há quem defenda que foi um quinteto, um trio, mas o que sempre foi verdade é que, estes dois músicos foram os fundadores indiscutíveis do Ouro Negro. Amigos de infância, Raúl e Milo reencontram-se no Norte de Angola numa estação de caminho de ferro algures entre Malange e Carmona (actual Uíge), e assim numa festa, casualmente pegaram nos seus violões e tocando umas músicas, deixaram o público espantado com a sua habilidade. É provável que se tenham entretanto junto outros membros, ou "acompanhantes", mas a formação inicial é a do Duo. José Alves Monteiro, mais conhecido por Gin, foi então um dos que terá integrado o conjunto em 1961, quando Milo e Raúl foram a Angola actuar, após o mega sucesso em Portugal. Estes gravaram 5 Extended Play (EP), com 4 músicas cada um. Entre elas a célebre Mãe Preta de Piratini e Caco Velho do Brasil, Garota, e sobretudo muito folclore de Angola, tal como Ana Ngola Dilenué, Rebita, Cidrálea, Palamiê... Algumas destas são composições ou arranjos dos Ngola Ritmos do grande (Liceu) Vieira Dias. Entretanto o 3º elemento deixou o Trio... A versão que ouvi toda a minha infância, contada pelo meu falecido "Tio" Jorge (que vivia em Portugal naquela época, e que os viu actuar várias vezes), foi de que esse mesmo elemento teria sido ludibriado pelo Duo conduzindo à saída do mesmo. Apesar disso, também ouvi dizer por fonte próxima que este elemento teria sido "levado" pela PIDE, por alegadas ligações aos movimentos de libertação de então. Se foi, o que é certo é que em tantos anos, nunca ouvi o Raúl falar sobre José Alves Monteiro, nem sei se este ainda será vivo, mas a técnica imortalizou a voz destes 3 magníficos, como se pode ouvir nesta fabulosa versão de Palamiê de 1961 com arranjos de Emílio Vitória Pereira, para todos conhecido por Milo, (ou arranjos do próprio Vieira Dias).
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