quinta-feira, dezembro 16, 2010

A Discografia

Lanço um desafio!
E porque não editar toda a discografia editada em Portugal do Duo Ouro Negro, disponibilizo todo o meu arquivo.

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domingo, dezembro 12, 2010

Duo Ouro Negro - O Essencial

Após 4 anos do desaparecimento físico de Raúl Indipwo, começam a surgir alguns tributos ao Duo Ouro Negro, pena que os tenham esquecido por tantos anos.
Mais recentemente a iPlay, lança a tão esperada colectânea que irá fazer os admiradores da música Afro-latina recuar no tempo.
Em primeiro lugar das 74 músicas (totalmente remasterizadas), 48 não chegavam até nós desde os velhinhos discos de vinil, dando a possibilidade de relembrar, e até, dar a conhecer aos mais distraídos, parte do enorme espólio que os artistas nos confiáram. Quem não se lembra da célebre frase"Pára o baile! Quem é que apagou a luz e mexeu na Dona Josefa?" E ainda das inúmeras adaptações como Timpanas, Upa Neguinho e a música Turca Uska-Dara!
Esta colecção, dividida em 4 cd's, dá-nos a possibilidade de ouvir com qualidade digital o mítico álbum Blackgroung de 1971 na sua integra, bem como o raro Epopeia/Lamento do Rei de 1975, gravado durante o início da guerra civil em Angola.
No interior é ainda possível ler algumas notas de Firmino Pascoal e João Bonifácio, que tentam contextualizar a herança do grupo na actualidade. Pena que ficou muito por dizer, e como sugestão, poderiam ter aproveitado os vastos arquivos do Raúl, que ajudariam a demonstrar a grandeza do Ouro Negro lá fora.
Graficamente está bem organizado, apesar de ser pobre em imagens (9 capas de discos "sabe a pouco").
No entanto, é um trabalho que comporta todo um risco de quem toma iniciativas, e como tal dou mérito a quem ainda se esforça por reavivar a memória daqueles que não se esquecem do Duo Ouro Negro.
PS: Para a próxima não utilizem o tema Muamba Banana e Cola editado pela Orfeu em 1981, mas sim a edição de 1969 gravada pela Odeon, na Argentina com a orquestra de Jorge Leone.

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sábado, outubro 09, 2010

Folclore de Angola

É sabido que a história da música de Angola não pode ser escrita sem falar do Duo Ouro Negro.

Se é um facto que o Duo deu a conhecer a música de África além fronteiras, por outro lado trouxe até África a música que se fazia um pouco por toda a parte. O "barco de Yemanjá" que outrora tinha levado a musicalidade do Homem Negro pelos vários continentes, trazia agora a estilização desses mesmos sons. Não é difícil entender a proveniência do samba, tango, fado, jazz...

Decorria o ano de 1982, quando é lançado este single pela Arnaldo Trindade. Nesta "Rapsódia Angolana" é bem notória a "evolução" da música de África, sem que fosse perdida a sua essência. Curiosamente foi o último disco que o Raul e o Milo gravaram na então Rádio Triunfo.

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sábado, fevereiro 27, 2010

Disco de Homenagem

Na última Terça-feira foi oficialmente apresentado o disco de homenagem ao Duo Ouro Negro intitulado Muxima, na Fábrica Braço Prata em Lisboa. Aproveito a oportunidade para apresentar algumas imagens desse dia, e dos 4 elementos que dão alma a este projecto.
Já tive a oportunidade de ouvir o álbum diversas vezes e a única palavra que me ocorre é intemporalidade. A música do Duo Ouro Negro é bastante actual, e apesar dos mentores do projecto darem o seu cunho pessoal, a essência da canção está lá.
É de louvar esta iniciativa, e espero que tenha bastante sucesso, alias, já está a ter. A quem não teve oportunidade de ouvir, recomendo a canção Menino de Braçanã (Yami esteve fantástico), e o Medley (Lindeza-Muamba Banana e Cola) muito bem conseguido.
Recomendo a todos os admiradores do Duo, e sobretudo para aqueles que pensavam que a música de Raúl Indipwo e Milo Mac-Mahon era "antiquada".

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quinta-feira, fevereiro 25, 2010

25 anos depois

É com muita saudade que recordamos hoje o saudoso Milo Mac-Mahon, 25 anos depois do seu desaparecimento físico no passado dia 20 de Fevereiro.
Milo falecera prematuramente aos 45 anos, na quarta-feira de cinzas de 1985, deixando mais de 25 anos de carreira e muitas, mesmo muitas histórias para contar. Nasceu em Benguela, mas foi em Sá da Bandeira (Lubango) que iniciou a sua carreira aos 17 anos, tocando o seu violão. Entretanto foi trabalhar como regente agrícola para o Norte de Angola, e na antiga Vila Carmona (Uíge), encontrou um amigo de infância de Benguela, chamado Raúl. Raúl Aires Peres era tesoureiro de uma firma de Luanda, e deslocava-se frequentemente a Malange, o gosto pela música era idêntico ao de Milo, e assim numa festa acidentalmente acabaram por tocar juntos, e o espanto dos presentes surpreendeu de tal forma os dois músicos que nasceu assim este grupo. Foi o início de uma carreira fulgurante, no Uíge para o Rádio Clube do Congo Português, onde foram baptizados de Ouro Negro, do Uíge para o Cinema Restauração em Luanda (1957), de Luanda para Lisboa (1959), de Lisboa para o Mundo (1960). E garanto-vos que não é exagero, percorreram todos os países do Mundo, à excepção de 3 países da América Central. O resto já todos conhecem, tiveram dezenas de sucessos, e tornaram-se verdadeiras vedetas internacionais. Como tal, fechavam quase sempre todos os espectáculos, e normalmente o cansaço já se tinha apoderado dos cantores. Era aí que o Milo soltava a sua piada “Vamos matar o porco?” E lá iam eles fechar mais um espectáculo, tanto aqui como no Brasil, ou no Japão. Não era por acaso que Raúl o descrevia muitas vezes como um autentico “bonacheirão”, um “tipo porreiro”, e “muito bem disposto”. O último trabalho discográfico de Milo foi o LP “Aos Nossos Amigos” que ficou pronto no final de 84, infelizmente um edema, não permitiu que Milo fizesse a sua derradeira digressão até à Brodway com o espectáculo Império de Iemanjá, vindo a falecer no dia 20 de Fevereiro de 1985.
Kalunga Milo!

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domingo, fevereiro 17, 2008

Kurikutela

"Angola é rica em ouro negro, mas agora o ouro negro em vez de brotar do chão, brota da garganta de dois jovens, o Raul e o Milo”. Assim disse Maria Lucília Dias do Rádio Clube do Congo Português.

Kurikutela marca a estreia do Duo Ouro Negro em Angola e mais tarde em Portugal.

Este tema conta a “História e reacções de um negro do interior que vê e anda de comboio pela primeira vez”, comboio esse que atravessava Angola até ao Leste, tendo sido editado em Portugal em 1960. Este disco de estreia contou com a colaboração do popular brasileiro Sivuca e o seu conjunto, que na época actuava no Parque Mayer, tendo sido recebido com um grande entusiasmo, a tal ponto que Kurikutela viria a ser gravado 3 vezes, 1960, 1966 e 1971.

Penso que este vídeo é a prova da harmonia entre estas duas vozes, o resto... É Ouro Negro!

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

23 Anos de Saudade

Foi numa Quarta-Feira de cinzas que partiu a nossa estrela Milo Mac-Mahon.

Não poderia deixar passar essa data, sem relembrar o dia que enlutou para sempre, os amigos e fãs, deste que foi um dos maiores embaixadores da música Angolana por todo o Mundo.

Em forma de homenagem, partilho um pequeno vídeo em que Milo canta o tema "Porquê", na célebre Rua D’Iliza, transmitida em 1968 na RTP.

O nosso pensamento está com ele.

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sexta-feira, novembro 30, 2007

Mazelele Raul!

Parabéns Raul!

Hoje festejamos o teu aniversário. Apesar de já não termos a tua presença física, todos os teus admiradores mantêm-te bem na memória, como um Homem generoso e de coração enorme. E assim sempre serás lembrado.

Estamos juntos!

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quinta-feira, novembro 22, 2007

Saudades de Angola - comercial

Para todos os admiradores, eis a mais recente edição sobre o Duo Ouro Negro. Desta vez em DVD com imagens para recordar. Aos interessados, podem ler aqui a crítica a este trabalho.

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domingo, setembro 09, 2007

Saudades de Angola

Eis que passado um ano do desaparecimento físico de Raul Indipwo, se cumpre uma parte daquele que foi um projecto inacabado do malogrado artista.

Tal como já tinha referido por aqui, um DVD com a história do Duo Ouro Negro era um objectivo traçado há muito pela última metade deste duo, desejo esse que não se chegou a concretizar em vida, infelizmente.

O DVD+ CD foi realizado em parceria com a Valentim de Carvalho e Vídeos RTP, sob a etiqueta Som Livre.

O CD apresenta algumas músicas nunca reeditadas em suporte digital, e o DVD busca algumas das imagens disponíveis nos arquivos RTP.

Algumas entrevistas recentes de Indipwo ajudam-nos a situar na história do Duo Ouro Negro, bem como actuações ao vivo dos dois artistas, passando pela opereta Rua d’Iliza, e ainda algumas entrevistas a Bonga, Eleutério Sanches, Sara Chaves, Eduardo Nascimento, Ana Maria Mascarenhas, Zézé M’Gambi, e claro as músicas com vídeos...

Passando à crítica, numa primeira visualização fiquei desiludido, e até irritado pela falta de rigor e profissionalismo que um projecto deste implica. Começa pela música que dá nome ao trabalho em mãos, pois o nome da música é Nocturno e não Saudades de Angola como decidiram chama-la!

Mas não fica por aqui. DVD adentro deparei-me com uma galeria de álbuns bastante pobre, face aos inúmeros registos do Duo Ouro Negro, e como se não bastasse ainda colocaram uma foto enganada.... Duo Orpheu nada tem que ver com Duo Ouro Negro senhores!

Mas passando isso à frente, reviver imagens deste grupo deixa-me sempre com as pupilas dilatadas em frente da televisão, apesar de ficar desgostoso com a compilação de imagens que introduziram em alguns vídeo-clips, resumindo-se a 2 espectáculos ao vivo do final da carreira dos músicos, e direi, imagens (aleatórias) de cenas do quotidiano em Angola.

Podiam ter ido rebuscar no pó do arquivo, imagens mais antigas de actuações ao vivo em TV, como os festivais da canção em que participaram (3 no total), e até o espectáculo Blackground emitido pelos estúdios do Lumiar em 1970....

Ficou pobre, parece-me que pretendem apenas vender de forma fácil em vez de produzir um DVD bem enquadrado em biografia, actuações ao vivo e entrevistas.

Por outro lado, tenho que dar os parabéns pela iniciativa, e perdoem-me o espírito crítico ou exigente que coloco nestas palavras.

Queremos mais!

Nocturno

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quinta-feira, junho 07, 2007

Cinema Restauração 7/6/1957

Completam-se hoje 50 anos da grande estreia do Duo Ouro Negro em Luanda no célebre Cinema Restauração.

Os cantores Raul e Emílio vindos do Norte de Angola, traziam uma actuação de folclore de Angola tendo obtido um grande sucesso nessa noite memorável. Mas a jornada para chegar à Metrópole ainda ia no início, foram precisos mais 2 anos até à estreia em Lisboa.

Na altura os jornais apontavam algumas dificuldades tais como, o facto de viverem e trabalharem ambos no Uíge, o que iria dificultar as suas actuações na capital angolana. Lembro que em 1957 não haveriam muitos artistas a ganhar a vida cantando folclore!

Uma data para recordar.

foto: Cinema Restauração, actual Assembleia Nacional (Memórias de Angola, João Loureiro)

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segunda-feira, junho 04, 2007

Foi há um ano

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Uma pequena homenagem

Raul José Aires Corte Peres Cruz nasceu no Cuanhama, filho de mãe branca e pai negro. Lá, na Chibia cheirou a terra do interior Angolano, aquela terra tão fértil que lhe encarnou a essência do homem guerreiro. No seu avião Sape-Sapeiro em Benguela, ganhou asas e imaginação que tanto usou nas suas composições e nas belas telas que pintou.

Saiu da sua Terra, cruzou o Mundo, cresceu, bebeu lá fora da mesma água que só os grandes astros bebem, adquiriu um novo nome e cantou... Cantou tanto Angola, a sua infância invulgar em Benguela, sempre, sempre ao lado do eterno Milo, até mesmo depois da morte dele. Não como presença física, mas muito mais importante como presença espiritual. O Raul dizia: “Quando o Milo morreu, senti uma enorme nostalgia, não me julgava capaz de cantar, mas certo dia ia cantar pela primeira vez sozinho no Coliseu, e sentia-me sozinho, completamente. Quando ia para entrar, senti a sua presença, e ouvi nitidamente a voz dele.”

Foi essa força inspiradora que o levou novamente a Angola, e se deparou com tanta miséria, tanta criança órfã, sedentos de amor, e ele, à sua maneira deu-lhes um pouco de conforto criando a fundação Ouro Negro.

Os amigos descrevem-no muitas vezes como uma pessoa muito serena, sempre com uma palavra amiga, e sobretudo nunca irritado. Isso prova bem a paz de espírito com que viveu a sua vida, sem alimentar ódios (nem mesmo pelo facto de nos últimos anos não estar na ribalta). Mas cumpriu a sua missão sem o sentimento de totalidade, porque a sua criatividade e sonhos não tinham fim. Ficaram projectos muito importantes por cumprir, entre eles um livro e um dvd com a história do Duo Ouro Negro.

Ele não estava preparado para morrer, acreditou até ao fim na sua recuperação, mas um linfoma em estado muito avançado terminou de vez com a sua esperança, tendo tido ainda tempo para receber o seu grande amigo Manuel Bobone, e pedir ao afilhado Nelson que se cumprisse o seu último desejo. Desejo esse que há muito ele tinha deixado no seu “testamento” onde dizia “e a terra o meu corpo não engula, para que não fique um marco de saudade, que me ponham numa pira de takula, e me queimem com acácias de verdade”.

Assim seja lembrado.

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sexta-feira, junho 01, 2007

Recordar Raul Indipwo

Junho é um mês para recordar Raul Indipwo. No próximo dia 4, completa-se o 1º ano do seu desaparecimento físico, e seria impossível deixar passar em branco o dia que vestiu de luto todos os que cresceram com o encanto da sua presença.

Para grande amnésia bastam as rádios e as televisões que se esquecem tão cedo dos artistas que partem. Para quando uma grande homenagem?

Até dia 4!

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quinta-feira, maio 03, 2007

Kalunga Buênhi Buala

Sob o signo de Touro, nasceu na cidade São Filipe de Benguela, Emílio Vítor Caldeira Mac Mahon Vitória Pereira. Foi há 67 anos. Onde quer que ele esteja, gostava que soubesse que a data não passou em branco, e sobretudo nos deixou uma obra que será sempre lembrada.

Ao Milo e família, uma singela homenagem.

Kalunga Buênhi Buala Milo.

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terça-feira, abril 24, 2007

Nova Antena - Projectos "Ouro Negro"

Já tinha prometido apresentar uma entrevista de Outubro de 1970, em que o Duo, acabado de regressar do Japão, apresentava os seus projectos para o ano de 1971. Era incontornável na entrevista de Carlos Pina, não abordar o mítico LP "Blackground".

Blackground, o velho e o novo testamento da música africana segundo o Duo Ouro Negro.

Regressado do Japão há bem pouco tempo, onde, segundo os próprios colegas, foi o êxito mais notado na feira de Osaka, o "Ouro Negro prepara a sua ofensiva para a próxima temporada.

Perderam os violões, as malas, actuaram no Japão com instrumentos alugados, fatos emprestados ou alguns "salvados" como, a brincar, nos dizia o Raúl. Apesar de tudo, o "Ouro Negro" foi sucesso grande no Japão, e a música africana, de que maneira!...

. Agora há milhentas coisas para fazer.

Era necessário fazer qualquer pergunta:

- Sim, há muito trabalho a concluir em breve. Há, falando, primeiro genericamente, a gravação de um LP intitulado "Blackground", para mim a coisa mais séria que fizemos até agora, e outros EP como o da "Rainha Dona Amélia" e "Neusa".

. Mas o que realmente faz correr agora o "Ouro Negro" é o próximo lançamento de um LP que tudo indica venha a marcar uma fase nova para a renovada, arejada e sempre actual música africana.

- Nós estamos actualmente, e cada vez isto se notará mais, a fazer coisas com pés e cabeça, coisas muito sérias. Este Blackground", por exemplo, é a história da música africana, desde que saiu de África até que voltou, numa dimensão maior, com uma estrutura e modos diferentes.

. Mas essa música que saiu já voltou realmente a África!?...

- Sim, tem voltado em jazz, em espiritual, em pop inclusivamente. É disso que este disco vai tratar. "Blackground" é o "campo negro", na música, e vai ser um clássico africano, vai ser uma coisa como ainda não há sobre a música de África.

. E logo a seguir:

- Há a história da música africana, naturalmente, mas em género de biografia. Este LP vai ser uma retrospectiva, cantado em português e inglês.

.Mais um pormenor:

- "Blackground" inclui várias partes que se interpenetram, formando um todo. Tem, por exemplo, a história da escravatura; a criação de África; o nascimento de Iemanjá; como é que o homem começou a cantar; donde vinha o som; como foi o som, por exemplo, o rio que atravessou África e o mar e foi ter ao outro lado e ali, abrindo os braços, como nasceram outros rios, o Mississipi, o Missouri, o Amazonas, eu sei lá. Depois o homem africano que ia pelo rio e que cantava no leito e ouvia a resposta vinda já do outro lado "Don't take me by the river", mas já em blues.

Portanto é a história da música de África desde que saiu de lá até que voltou, agora em jazz, samba, afro, etc.

. Naturalmente, o meter ombros a tão arrojada empresa implica uma documentação, um estar dentro das realidades, um arcabouço particular.

- Naturalmente, mas o nosso maior trunfo é o grande conhecimento que temos de África e da sua música, primeiro porque somos africanos; segundo, porque temos uma responsabilidade muito grande; e terceiro, porque queremos deixar qualquer coisa de válido, pelo menos em música, à nossa terra, deixando para secundaríssimo plano essas coisas como "Marias Ritas", "Silvies", etc.

. Decididamente, portanto, virados para África?!...

- Sim. Aliás sempre estivemos. Simplesmente, de vez em quando, fazemos umas coisinhas assim para cá.

. Raúl acrescenta mais um pormenor da importência que diferencia a "nossa" música "Ouro Negro" da brasileira:

- Um dos caudais do "Blackground" é precisamente o rio brasileiro; outro é o ramo europeu, mas só no que diz respeito ao ritmo, a "pop-music"; outro, ainda, um dos mais importantes, aliás, é o ramo americano, a música dita branca: a junção, por exemplo, do "espiritual-folk", "soul-music", etc. Como sabe, há muito que se processa um retrocesso da música americana para África, chamado o "afro"...

. Muito mais se falou...

Nova Antena, 2 de Outubro de 1970

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terça-feira, fevereiro 20, 2007

Saudade de Milo

Milo Mac Mahon falecera prematuramente aos 45 anos, na quarta-feira de cinzas de 1985, deixando mais de 25 anos de carreira e muitas, mesmo muitas histórias para contar.

Nasceu em Benguela, mas foi em Sá da Bandeira (Lubango) que iniciou a sua carreira aos 17 anos, tocando o seu violão. Entretanto foi trabalhar como regente agrícola para o Norte de Angola, e na antiga Vila Carmona (Uíge), encontrou um amigo de infância de Benguela, chamado Raúl.

Raúl Aires Peres era tesoureiro de uma firma de Luanda, e deslocava-se frequentemente a Malange, o gosto pela música era idêntico ao de Milo, e assim numa festa acidentalmente acabaram por tocar juntos, e o espanto dos presentes surpreendeu de tal forma os dois músicos que nasceu assim este grupo. Foi o início de uma carreira fulgurante, no Uíge para o Rádio Clube do Congo Português, onde foram baptizados de Ouro Negro, do Uíge para o Cinema Restauração em Luanda (1957), de Luanda para Lisboa (1959), de Lisboa para o Mundo (1960). E garanto-vos que não é exagero, percorreram todos os países do Mundo, à excepção de 3 países da América Central. O resto já todos conhecem, tiveram dezenas de sucessos, e tornaram-se verdadeiras vedetas internacionais. Como tal, fechavam quase sempre todos os espectáculos, e normalmente o cansaço já se tinha apoderado dos cantores. Era aí que o Milo soltava a sua piada “Vamos matar o porco?” E lá iam eles fechar mais um espectáculo, tanto aqui como no Brasil, ou no Japão. Não era por acaso que Raúl o descrevia muitas vezes como um autentico “bonacheirão”, um “tipo porreiro”, e “muito bem disposto”.

O último trabalho discográfico de Milo foi o LP “Aos Nossos Amigos” que ficou pronto no final de 84, infelizmente um edema, não permitiu que Milo fizesse a sua derradeira digressão, vindo a falecer no dia 20 de Fevereiro de 1985. Faz hoje 22 anos.

Kalunga Milo!

Último Amigo - Duo Ouro Negro

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quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Recordar Milo Mac Mahon

Fevereiro é o mês dedicado ao grande Milo, completando este ano 22 anos do seu desaparecimento físico. No próximo dia 20, irei fazer um breve resumo com alguns momentos marcantes da carreira deste Sulano. Até lá...

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quarta-feira, setembro 13, 2006

Recapitulando

A história destes dois grandes músicos não é fácil de relembrar, sobretudo porque tudo começou há quase 50 anos no célebre Cinema Restauração em Luanda, mais precisamente a 7 de Junho de 57. Mas no entanto peço a vossa colaboração para me corrigirem, sempre que os meus conhecimentos falharem, para que nunca se desvaneça nos nossos vindouros aquilo que foi (e sempre será) o verdadeiro Ouro Negro. O meu muito obrigado.

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sexta-feira, setembro 08, 2006

Recordar Duo Ouro Negro

Há muito tempo que quero criar um espaço dedicado a este grande Duo da música mundial. Nos próximos tempos irei construir este espaço juntamente com todos aqueles que são fãs, apreciadores, familiares ou amigos destes que foram os maiores embaixadores da África Latina. Para já sejam bem vindos, aguardo com entusiasmo as vossas sugestões.

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