domingo, dezembro 12, 2010

Duo Ouro Negro - O Essencial

Após 4 anos do desaparecimento físico de Raúl Indipwo, começam a surgir alguns tributos ao Duo Ouro Negro, pena que os tenham esquecido por tantos anos.
Mais recentemente a iPlay, lança a tão esperada colectânea que irá fazer os admiradores da música Afro-latina recuar no tempo.
Em primeiro lugar das 74 músicas (totalmente remasterizadas), 48 não chegavam até nós desde os velhinhos discos de vinil, dando a possibilidade de relembrar, e até, dar a conhecer aos mais distraídos, parte do enorme espólio que os artistas nos confiáram. Quem não se lembra da célebre frase"Pára o baile! Quem é que apagou a luz e mexeu na Dona Josefa?" E ainda das inúmeras adaptações como Timpanas, Upa Neguinho e a música Turca Uska-Dara!
Esta colecção, dividida em 4 cd's, dá-nos a possibilidade de ouvir com qualidade digital o mítico álbum Blackgroung de 1971 na sua integra, bem como o raro Epopeia/Lamento do Rei de 1975, gravado durante o início da guerra civil em Angola.
No interior é ainda possível ler algumas notas de Firmino Pascoal e João Bonifácio, que tentam contextualizar a herança do grupo na actualidade. Pena que ficou muito por dizer, e como sugestão, poderiam ter aproveitado os vastos arquivos do Raúl, que ajudariam a demonstrar a grandeza do Ouro Negro lá fora.
Graficamente está bem organizado, apesar de ser pobre em imagens (9 capas de discos "sabe a pouco").
No entanto, é um trabalho que comporta todo um risco de quem toma iniciativas, e como tal dou mérito a quem ainda se esforça por reavivar a memória daqueles que não se esquecem do Duo Ouro Negro.
PS: Para a próxima não utilizem o tema Muamba Banana e Cola editado pela Orfeu em 1981, mas sim a edição de 1969 gravada pela Odeon, na Argentina com a orquestra de Jorge Leone.

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sábado, fevereiro 27, 2010

Disco de Homenagem

Na última Terça-feira foi oficialmente apresentado o disco de homenagem ao Duo Ouro Negro intitulado Muxima, na Fábrica Braço Prata em Lisboa. Aproveito a oportunidade para apresentar algumas imagens desse dia, e dos 4 elementos que dão alma a este projecto.
Já tive a oportunidade de ouvir o álbum diversas vezes e a única palavra que me ocorre é intemporalidade. A música do Duo Ouro Negro é bastante actual, e apesar dos mentores do projecto darem o seu cunho pessoal, a essência da canção está lá.
É de louvar esta iniciativa, e espero que tenha bastante sucesso, alias, já está a ter. A quem não teve oportunidade de ouvir, recomendo a canção Menino de Braçanã (Yami esteve fantástico), e o Medley (Lindeza-Muamba Banana e Cola) muito bem conseguido.
Recomendo a todos os admiradores do Duo, e sobretudo para aqueles que pensavam que a música de Raúl Indipwo e Milo Mac-Mahon era "antiquada".

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terça-feira, novembro 11, 2008

Miriam Makeba (1932-2008)

Miriam Makeba, famosa cantora Sul-Africana, faleceu na madrugada de ontem aos 76 anos, vítima de um ataque cardíaco. A cantora encontrava-se em Itália para actuar com vários artistas, em homenagem ao jornalista Roberto Saviano, perseguido pela máfia napolitana.
”Conhecida pelo seu empenho na luta contra o Apartheid, a artista Sul-Africana não ficava indiferente a estas causas e as suas canções tratavam essencialmente de temas como o amor, a paz e a tolerância. Apesar de ser originária da África do Sul, as suas convicções não agradavam ao sistema político vigente e, como tal, viveu em exílio durante cerca de 35 anos, tendo passado por países como a França, os Estados Unidos, a Guiné e a Bélgica. O regresso à terra natal, que se deu apenas em 1990, ficou marcado pela emoção e também por uma certa revolta. “Nunca percebi porque é que não podia voltar ao meu país. (…) Não cometi nenhum crime”, afirmava a cantora na altura.
A "Mamã África" deixa-nos êxitos marcantes como Pata Pata, The Click Song e Khawuleza, enlutando o panorama musical africano.
O Duo Ouro Negro no final dos anos 60 também se cruza com Miriam Makeba, tendo dito Raúl, "[...] voltamo-nos a encontrar com Sivuca, desta feita com Miriam Makeba. Surgiu logo a ideia da reedição destas canções que hoje serão actuais, ponto de partida de toda a música de percursão no Mundo". Em 1966 Raúl e Milo tinham gravado o Click song, e mais tarde gravaram Pata Pata, e deixo-vos precisamente esta canção interpretada pelo Duo angolano em forma de homenagem a grande Makeba.

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sábado, setembro 20, 2008

Novo CD já à venda

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domingo, setembro 09, 2007

Saudades de Angola

Eis que passado um ano do desaparecimento físico de Raul Indipwo, se cumpre uma parte daquele que foi um projecto inacabado do malogrado artista.

Tal como já tinha referido por aqui, um DVD com a história do Duo Ouro Negro era um objectivo traçado há muito pela última metade deste duo, desejo esse que não se chegou a concretizar em vida, infelizmente.

O DVD+ CD foi realizado em parceria com a Valentim de Carvalho e Vídeos RTP, sob a etiqueta Som Livre.

O CD apresenta algumas músicas nunca reeditadas em suporte digital, e o DVD busca algumas das imagens disponíveis nos arquivos RTP.

Algumas entrevistas recentes de Indipwo ajudam-nos a situar na história do Duo Ouro Negro, bem como actuações ao vivo dos dois artistas, passando pela opereta Rua d’Iliza, e ainda algumas entrevistas a Bonga, Eleutério Sanches, Sara Chaves, Eduardo Nascimento, Ana Maria Mascarenhas, Zézé M’Gambi, e claro as músicas com vídeos...

Passando à crítica, numa primeira visualização fiquei desiludido, e até irritado pela falta de rigor e profissionalismo que um projecto deste implica. Começa pela música que dá nome ao trabalho em mãos, pois o nome da música é Nocturno e não Saudades de Angola como decidiram chama-la!

Mas não fica por aqui. DVD adentro deparei-me com uma galeria de álbuns bastante pobre, face aos inúmeros registos do Duo Ouro Negro, e como se não bastasse ainda colocaram uma foto enganada.... Duo Orpheu nada tem que ver com Duo Ouro Negro senhores!

Mas passando isso à frente, reviver imagens deste grupo deixa-me sempre com as pupilas dilatadas em frente da televisão, apesar de ficar desgostoso com a compilação de imagens que introduziram em alguns vídeo-clips, resumindo-se a 2 espectáculos ao vivo do final da carreira dos músicos, e direi, imagens (aleatórias) de cenas do quotidiano em Angola.

Podiam ter ido rebuscar no pó do arquivo, imagens mais antigas de actuações ao vivo em TV, como os festivais da canção em que participaram (3 no total), e até o espectáculo Blackground emitido pelos estúdios do Lumiar em 1970....

Ficou pobre, parece-me que pretendem apenas vender de forma fácil em vez de produzir um DVD bem enquadrado em biografia, actuações ao vivo e entrevistas.

Por outro lado, tenho que dar os parabéns pela iniciativa, e perdoem-me o espírito crítico ou exigente que coloco nestas palavras.

Queremos mais!

Nocturno

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segunda-feira, junho 04, 2007

Foi há um ano

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quinta-feira, maio 03, 2007

Trem das Onze em "Conta-me Como Foi"

A nova série televisiva da RTP 1 “Conta-me como Foi”, não deixou passar em branco a página que o Duo Ouro Negro escreveu na história da música.

Numa das cenas do 1º episódio, brindou o público com a famosa interpretação do Trem das Onze de Adoniran Barbosa. Recorde-se que este tema foi gravado em 1966 acompanhado pelos míticos Thilo’s Combo, no auge da carreira dos cantores angolanos.

"Conta-me como foi" é uma série de ficção adaptada da série espanhola “Cuentame como pasó”. Como a original, a série portuguesa tem como objectivo retratar de forma bem humorada o ambiente socio-económico desde finais da década de 60. In RTP

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terça-feira, abril 24, 2007

Nova Antena - Projectos "Ouro Negro"

Já tinha prometido apresentar uma entrevista de Outubro de 1970, em que o Duo, acabado de regressar do Japão, apresentava os seus projectos para o ano de 1971. Era incontornável na entrevista de Carlos Pina, não abordar o mítico LP "Blackground".

Blackground, o velho e o novo testamento da música africana segundo o Duo Ouro Negro.

Regressado do Japão há bem pouco tempo, onde, segundo os próprios colegas, foi o êxito mais notado na feira de Osaka, o "Ouro Negro prepara a sua ofensiva para a próxima temporada.

Perderam os violões, as malas, actuaram no Japão com instrumentos alugados, fatos emprestados ou alguns "salvados" como, a brincar, nos dizia o Raúl. Apesar de tudo, o "Ouro Negro" foi sucesso grande no Japão, e a música africana, de que maneira!...

. Agora há milhentas coisas para fazer.

Era necessário fazer qualquer pergunta:

- Sim, há muito trabalho a concluir em breve. Há, falando, primeiro genericamente, a gravação de um LP intitulado "Blackground", para mim a coisa mais séria que fizemos até agora, e outros EP como o da "Rainha Dona Amélia" e "Neusa".

. Mas o que realmente faz correr agora o "Ouro Negro" é o próximo lançamento de um LP que tudo indica venha a marcar uma fase nova para a renovada, arejada e sempre actual música africana.

- Nós estamos actualmente, e cada vez isto se notará mais, a fazer coisas com pés e cabeça, coisas muito sérias. Este Blackground", por exemplo, é a história da música africana, desde que saiu de África até que voltou, numa dimensão maior, com uma estrutura e modos diferentes.

. Mas essa música que saiu já voltou realmente a África!?...

- Sim, tem voltado em jazz, em espiritual, em pop inclusivamente. É disso que este disco vai tratar. "Blackground" é o "campo negro", na música, e vai ser um clássico africano, vai ser uma coisa como ainda não há sobre a música de África.

. E logo a seguir:

- Há a história da música africana, naturalmente, mas em género de biografia. Este LP vai ser uma retrospectiva, cantado em português e inglês.

.Mais um pormenor:

- "Blackground" inclui várias partes que se interpenetram, formando um todo. Tem, por exemplo, a história da escravatura; a criação de África; o nascimento de Iemanjá; como é que o homem começou a cantar; donde vinha o som; como foi o som, por exemplo, o rio que atravessou África e o mar e foi ter ao outro lado e ali, abrindo os braços, como nasceram outros rios, o Mississipi, o Missouri, o Amazonas, eu sei lá. Depois o homem africano que ia pelo rio e que cantava no leito e ouvia a resposta vinda já do outro lado "Don't take me by the river", mas já em blues.

Portanto é a história da música de África desde que saiu de lá até que voltou, agora em jazz, samba, afro, etc.

. Naturalmente, o meter ombros a tão arrojada empresa implica uma documentação, um estar dentro das realidades, um arcabouço particular.

- Naturalmente, mas o nosso maior trunfo é o grande conhecimento que temos de África e da sua música, primeiro porque somos africanos; segundo, porque temos uma responsabilidade muito grande; e terceiro, porque queremos deixar qualquer coisa de válido, pelo menos em música, à nossa terra, deixando para secundaríssimo plano essas coisas como "Marias Ritas", "Silvies", etc.

. Decididamente, portanto, virados para África?!...

- Sim. Aliás sempre estivemos. Simplesmente, de vez em quando, fazemos umas coisinhas assim para cá.

. Raúl acrescenta mais um pormenor da importência que diferencia a "nossa" música "Ouro Negro" da brasileira:

- Um dos caudais do "Blackground" é precisamente o rio brasileiro; outro é o ramo europeu, mas só no que diz respeito ao ritmo, a "pop-music"; outro, ainda, um dos mais importantes, aliás, é o ramo americano, a música dita branca: a junção, por exemplo, do "espiritual-folk", "soul-music", etc. Como sabe, há muito que se processa um retrocesso da música americana para África, chamado o "afro"...

. Muito mais se falou...

Nova Antena, 2 de Outubro de 1970

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quinta-feira, janeiro 18, 2007

Faleceu Sivuca

Severino Dias de Oliveira mais conhecido pelo público Brasileiro por Sivuca faleceu há 1 mês, no dia 14 de Dezembro vítima de um tumor. Durante a sua longa carreira discográfica, gravou um pouco por todo o mundo, tendo residido em Paris, Nova Iorque, Lisboa. Em Portugal (1959) gravou os 2 primeiros EP's do Duo Ouro Negro,onde se pode ouvir a sua sanfona (acordeão) em Kurikutela e Maria Candimba. Foi também responsável pelos arranjos do mega sucesso "Pata Pata" de Miriam Makeba durante a década de 60. Em 1970 voltou a gravar com o Duo Ouro Negro mas desta vez em LP, intitulado Africaníssimo, onde reuniram os mesmos sucessos do inicio da carreira dos dois cantores Angolanos. Em Novembro de 2006 gravou o seu último registo em DVD, com 160 músicos convidados, falecendo menos de um mês depois aos 76 anos de idade. Fica mais pobre o Universo musical.
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