Disco de Homenagem
Um Blog dedicado ao magnífico Duo Ouro Negro, representantes da raça crioula por todo o Mundo.
Depois de uma ausência de Verão, eis que o blog Duo Ouro Negro regressa com algumas novidades.
Para aqueles que não acreditam que o Trio Ouro Negro existiu, eis uma prova da sua existência!
É claro que se trata de uma brincadeira, obviamente que existiu o Trio Ouro Negro, mas desta vez trata-se de um trio imprevisto, Raul, Milo e imaginem, Maluda.
Maluda, pintora reconhecida, nasceu em Goa em 1934, tendo ido viver para a então Lourenço Marques em 1948 onde permaneceu até 1963, ano em que viajou para Portugal.
A artista conheceu o Raul e o Milo em Paris, no ano de 65 enquanto bolseira da Fundação Gulbenkian. Na altura a presença do Duo Ouro Negro em França era frequente, e inclusivamente nesse ano tinha sido lançado o Kwela em Paris.
Segundo a pintora, “a minha amizade com o Milo e o Raul foi quase imediata, talvez por termos vindo de África”. A verdade é que essa amizade perdurou até ao seu desaparecimento em 1999, enlutando para sempre os amantes das suas "Janelas".
Um vídeo que certamente vos fará recordar...
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A Rua D’Iliza faz parte da história da televisão em Portugal.
Esta afirmação tem todo o fundamento, Raul e Milo inspirados na Rua Araújo da então Lourenço Marques, decidiram chamar à atenção do grande público para um pouco da realidade africana.
Esta opereta, feita num fim-de-semana nos estúdios da Tobis, encheu de glamour a televisão, mesmo tendo custado 8 contos!
Herlander Peyroteo foi um dos grandes responsáveis deste grande sucesso, mas a vivência do Ouro Negro, com a sua carreira internacional, trouxe até nós um pouco do que já se fazia lá fora nos grandes espectáculos da Broadway.
Segundo Raul “haviam poucos mulatos naquela época aqui na Tuga, daí que fomos buscar os mais morenos”, dos Sheiks (Carlos Mendes Paulo de Carvalho, Fernando Chaby, Edmundo Silva), Lilly Tchiumba, Dany Boavida, são alguns dos elementos deste magnífico elenco.
Nesta primeira sequência Raul apresenta a opereta, em que a chegada de Iliza fez logo despertar o interesse dos dois rivais, dividindo-a definitivamente, pois não sabia qual dos dois havia de escolher.
Nesta segunda sequência, os rivais acabam em briga, e Iliza dá uma solução para esse problema, ambos deveriam partir para terras longínquas, e aquele que mais rico voltasse, ficaria com o seu coração.
Nesta terceira e última sequência, Raul e Milo chegam riquíssimos das Terras do Sol Posto, mas Iliza trocou-lhes as voltas e acabou por ficar com um Irlandês. De salientar a actuação dos Sheiks nesse momento em que inconsolados choram a perda da sua amada.
Os dois artistas não viram a estreia em televisão porque tiveram um espectáculo no Porto, mas à saída ouviram um garoto a cantar “Iliza Ué”, e Raul teve a certeza “resultou!”.
No dia seguinte Mário Castrim encheu a página Canal da Crítica com o seguinte texto: “Uma lufada de ar fresco no Lumiar. Até que enfim que ficamos 3 quartos de hora em frente do televisor sem nos aperceber.”
A Rua D’Iliza seria posteriormente seleccionada para representar a televisão portuguesa no Festival de Milão.
Raul queixou-se: “Infelizmente a RTP não deu grande importância à Rua D’Iliza”, não se fez mais espectáculos do género, não que tenham faltado ideias. A técnica imortalizou para sempre um espectáculo inovador, com toda a ingenuidade dos artistas, mas acima de tudo, uma prova do grande talento dos saudosos Raul e Milo.
Brevemente teremos por aqui um dos pontos mais altos da carreira do Duo Ouro Negro em Portugal, com a célebre Rua D’Iliza.
Recordaremos alguns momentos dessa opereta que marcou a história da televisão em Portugal.
Até lá...
Etiquetas: 60's, Ao Vivo, Brevemente, RTP
A mês e meio da Revolução dos Cravos, directamente do Teatro Maria Matos, é transmitido para o vasto auditório da RTP, o XI Grande Prémio TV da Canção 1974.
Com apresentação de Artur Agostinho e Glória de Matos, o Duo Ouro Negro concorre com a Canção “Bailia dos Trovadores”, da autoria de Rita Olivais.
Raul e Milo concorrem pela última vez a Festivais da Canção nesse ano, com um tema bastante diferente do percurso que a sua carreira levava. Estávamos na era “Blackground”, em que o Duo cantavam toda a diáspora, e sentimento do povo de África, sendo esta participação, a meu entender, um pretexto para “regressarem” a Portugal depois de longa estadia pelo Oriente e América.
A canção Bailia dos Trovadores classifica-se num honroso em 4º lugar, com 28 pontos, em 3º lugar os Green Windows com “Imagens”, 2º lugar também Green Windows com “No Dia em Que o Rei Fez Anos”, e em 1º lugar aquela que seria uma das senhas para a Revolução, “E Depois do Adeus” com Paulo de Carvalho.
Ficam aqui as imagens da participação do Duo Ouro Negro, inovadores, e bastante originais. Obrigado por partilharem estes vídeos.
Já lá vai algum tempo sem escrever por aqui, não por falta de vontade, mas muito por falta de tempo, peço perdão por não actualizar este espaço mais regularmente.
Decidi escrever sobre uma canção muito bonita do Duo Ouro Negro, talvez até uma das mais bonitas, falo-vos de Mulowa.
Tal como no vídeo que poderão assistir em seguida, Raul explica o significado de Mulowa, ou Mãe de Gémeos e a tradição que está relacionada com o nascimento.
Nesta pintura de 1980, Indipwo retrata da melhor forma aquilo que vos vai contando, os círculos de mulheres à volta da parturiente, em tons quentes e cores fortes como ele tanto gostava. Esta mesma pintura seria utilizada para capa da reedição do disco Mulowa Afrika no ano de 1982.
É incrível a harmonia destas duas vozes, não existe igual.